terça-feira, 13 de abril de 2010

E tu
não me olhes assim
com olhos de medo que vão daqui
que ficam assim no fim de ti,
e eu aqui.

Se perguntares por mim
responde tu... Triste sina
inquieta, drástica. Mórbida.

Sónica; efémera
paisagem que tu com o olhar que dês-te
sombreias e tornas clara. Fatigada.

Forma desfocada que respira e enaltece
que esquece mas recorda
que palpita e não é hora
de recapitular a vida...

VIDA
VIDA
VIDA

Talvez seja só o sem ser,
por isso, contigo, em ti, sem nada.

NADA
NADA
NADA

e no fundo TUDO.

Não, não me olhes assim
com os olhos de leão enfurecido,
enraivecido, estupidamente descontrolado
que como se me dissesses: amo-te.

Sim, olha-me assim,
com esse ar de desprezo. Esse
pouco zelo.
Esse desinteresse.

Fascina-me, tal como a ti,
a reacção do amor. Realço
mais do que tu esse sentido de dor.
Afirmo mais do que todos o saber que dói
por detrás do florido que cerca
amansa e destrói a tristeza feliz de estar tudo bem.

Contemplo mais do que o nada.
Invento enquanto tenho estrada.
Caminho e não encontro mais nada.
Retorno - reencontro - regresso à alvorada.

Paisagisticamente sou e fico, só.
Mas... se só sol está a florir,
só sonhar é fugir... e então fujo.

4 comentários:

  1. Senhor José da Fonseca, penso que suas escrituras são de valor e de um incalculável valor.
    É certo que não me causam dor.
    Também não suscitam prazer.
    Mas quero apenas dizer a quem não gostar que se vá foder.

    ...
    Há sempre a opção do "gostei"

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  2. patricia gosta disto :)
    agora vamos para o académico para cantares isto com muita gente a ouvir x)

    adoro os teus textos ^^

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