quarta-feira, 21 de abril de 2010

até ao fim da linha
essa que fica pra lá do horizonte
essa que me atropela e fica distante
enfim
apenas essa que faz chorar
que faz sorrir
a que faz...

enfim

pensamento e sentidos activos

só disso e tudo

e enfim

nem sei se seria se tudo fosse simples
contudo
torna difícil,
sim, aumenta essa dificuldade pra sofrer e sentir mais
e sentir mais e sofrer ainda mais
e sofrer e sentir

tudo é dor, mas lá pelo meio, sentes
e sabes e sentes e sabes que quando sentes
sofres,
mas no fundo é fácil,
o difícil é esquecido
e a ilusão dá-te felicidade.

no fundo choras,
mas no fundo sentes que és feliz,
então somos... e acabou

terça-feira, 13 de abril de 2010

E tu
não me olhes assim
com olhos de medo que vão daqui
que ficam assim no fim de ti,
e eu aqui.

Se perguntares por mim
responde tu... Triste sina
inquieta, drástica. Mórbida.

Sónica; efémera
paisagem que tu com o olhar que dês-te
sombreias e tornas clara. Fatigada.

Forma desfocada que respira e enaltece
que esquece mas recorda
que palpita e não é hora
de recapitular a vida...

VIDA
VIDA
VIDA

Talvez seja só o sem ser,
por isso, contigo, em ti, sem nada.

NADA
NADA
NADA

e no fundo TUDO.

Não, não me olhes assim
com os olhos de leão enfurecido,
enraivecido, estupidamente descontrolado
que como se me dissesses: amo-te.

Sim, olha-me assim,
com esse ar de desprezo. Esse
pouco zelo.
Esse desinteresse.

Fascina-me, tal como a ti,
a reacção do amor. Realço
mais do que tu esse sentido de dor.
Afirmo mais do que todos o saber que dói
por detrás do florido que cerca
amansa e destrói a tristeza feliz de estar tudo bem.

Contemplo mais do que o nada.
Invento enquanto tenho estrada.
Caminho e não encontro mais nada.
Retorno - reencontro - regresso à alvorada.

Paisagisticamente sou e fico, só.
Mas... se só sol está a florir,
só sonhar é fugir... e então fujo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A vida.
Morte à partida na criação
biótica
que faz seguir e ter paixão.

Censura!
Medo. Anseio.

Percebo e tenho
o tempo de onde venho -
contemporâneo -
e sonho mas repudio
o passado belo.

Harmonia em BelCanto.
Canto. Grito!

Censura!
Medo. Anseio.

Percebo e venho
por entre o tempo que tenho,
que resta - devaneio - sobra.
Agora percebo  o medo
do anseio que me censura;
sinto a vida morta
da paixão efémera, escura.