quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Diogo Correia Dias (19 anos) e as palavras como identidade.
Não se considera nada, mas gosta que o associem a um não poeta. Talvez o único gosto do qual nunca se desfez: a escrita. Quando o futebol, os jogos de computador, as miúdas, o dragon ball e as primeiras sapatilhas de marca se foram embora, ficou o desejo assente de poder sentir-se a escrever. O sonho de ser um escritor sempre o fez sonhar, ainda que acordado, e ansiar pelo seu concretizar. “Um dia vou estar com muitas pessoas que me vão dizer: -“parabéns pelo seu livro”; e aí, agradeço e assino o meu nome na capa…”, sonhava; conscientemente por fim reparava na mochila às costas e num dia chuvoso que tinha pela frente. Não era pelo facto de ser conhecido, era sim pelo facto de poder sentir-se vivo num viver em que o culminar iria ser mais pessoas a ver o que pensa, a saber que pensa, ou se calhar não, e só iriam elogiar porque tinha saído um livro e convinha ficar perto de quem era famoso.
Por vezes angustiado, revoltado, constrangido ou mesmo sem limites, cresceu um rapaz normal, com as roupas arranjadas pela mãe até ao quinto ano, e posteriormente fechado no quarto, com o seu candeeiro e pouco mais do que metade de um papel.
Agora divide o tempo entre pouco mais do que um papel de verdade, uma caneta quase gasta e a música que escreve. A escrita que o transcende e a criação que o supera para que se possa superar e sentir que ao sentir pensa e pensar ao saber que sente. Existe.
Nocturno assumido e criador sem criação alguma mas refugiado na mesma luz de candeeiro, vislumbrador de beleza natural e focado num caminho que não vê, não sente, apenas torna possível com pouco mais do que o seu querer.
Um não poeta coberto de letras e desenhos que mais não são do que rabiscos.

Diogo Dias

(introdução do meu livro Rabiscos Nocturnos)

2 comentários:

  1. «“Um dia vou estar com muitas pessoas que me vão dizer: -“parabéns pelo seu livro”; e aí, agradeço e assino o meu nome na capa…”, sonhava; conscientemente por fim reparava na mochila às costas e num dia chuvoso que tinha pela frente.»

    - Mas os dias chuvosos não duram uma Vida e quanto à mochila às costas, um dia sempre a podes substituir por uma pasta na mão. E nesse mesmo dia, eu vou dar-te os parabéns, tu vais-me agradecer (porque até és um rapaz bem educadinho :b) e podes ter a certeza que eu vou fazer questão de ter o teu nome assinado na capa.

    De resto, já sabes o que penso . (:

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  2. Acho que não é preciso dizer nada em relação ao que eu penso sobre isto tudo .

    Força nisso e realiza os teus sonhos !

    Aquele abraço .

    Vilson

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