quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Noite


Era bom só virar a página.

Sem sentir.

O vento que lá fora corre é inóspito,
e eu aqui.

A relembrar, de repente,
sem que nisso tivesse pensado
ou querido.

O querer. O crer.

Sonhar,
chegar mais longe,
tocar mais alto. Voar.

Estar. Estou. Fui.

Em ti escrevo
com a certeza pouco certa
de que saberei se te lês.

Vê-te.

Por favor,
só pedi para mim. Nada mais.

Lê-te.

Lê-me. Vê-me,
é fácil. Basta sonhar.

Ouve como corre e fala:
a chuva,
o vento,
a calçada.

- São três da manhã não faças pedidos.

Ouve. Agora…
sente.                     

Passou um minuto.
Mil coisas aconteceram. Mais.
Não tarda é natal.

Natal. Natal. Natal.
Quão bela palavra,
sentir muito pouco,
mas muito bela esta palavra.
É diferente.

Ambivalência
sentida em encruzilhadas
efémeras 
mas duramente marcantes.

Conhece-me.
É sem pedido o que te peço.

Só tenho este sonho em que adormeço
e quero ficar
como a águia que voa baixo
sobre as águas fundas
d'um imenso mar.

Então fico e assim sou.

É a vida numa esplanada de café.
São as passagens.
Um pouco de resto de fé.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010



este vídeo demonstra luta contra a fragilidade em que alguns trabalhadores ainda vivem.

(para saberem mais podem aceder a este site, divulguem.)
http://www.antesdadividatemosdireitos.org/antesdad/


Regras


- “Sofrer é normal”. PÁRA!
Que felicidade resiste?,
no meio de ódios, raivas,
lágrimas. Fachada.

Conveniência,
do sorriso sempre belo
apesar de amarelo,
não de cor
sim de verdade. Factos.

Escola, trabalho. Não comas,
isso faz-te ter tempo pra ti
e eles não querem.
Trabalha, deixa a tua pele
e já agora o pouco
que obténs em compensação do que fazes.
Aclamas-te
pelo mundo Super-Máquina.
Na verdade
nem sabes se o fizeste;
implantado está, dominado estás,
constrangido és, livre foste.

Dogmas e esquemas e farsas.
O trio fantástico;
juntos no teu viver básico, limitado
pelo clássico:
“viver mata” trabalha apenas.

Queres respirar… mas é tarde,
num horário intensivo
muito produtivo mas pouco significativo
para o teu eu
que já nem fala.

Loucura

Beleza. Imensa. Sem dúvida.

O plano perfeito do Homem
onde a liberdade é exacta,
lógica, simples; perfeita.

Local de viagens, naturais,
por entre vales, bosques, praia.

Eterno bem estar florido,
nunca enganador,
puro e conhecedor de saber.

É o Homem no estado
mais puro,
mais integro.

Caminho,
por certo que único meio
para um fim vitalício.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Dig - porventura - EP - 2009 - (download, clica na imagem)

Capa - Dig - Porventura - EP - 2009 - Dig, intimista, desconcertante, controverso, sublime, inóspito, insólito, espontâneo, sonhador. É tudo isto e muito mais. Traz consigo um universo imenso, um pensamento alargado, um futuro abstracto-concreto que roça definições filosóficas, complexo demais para ser definido. Um vadio-cumpridor dos horários que tem de chegar a casa, um escritor talentoso-confuso que poucos entendem, um conversador nato-chato que adora abordar temas estúpidos, etc. Porventura, não será fácil digerir este trabalho, mas à medida que se vai gastando bateria do Mp3 a percorrer o abecedário, chega-se sempre à mesma conclusão: “Porque é que esta merda só tem 11 minutos e 42 segundos??? Foda-se”. Pois é meus caros, não desesperem, o homem está aí para ficar, isto é só um aperitivo. Aproveitem bem. (por DUST)

Diogo Correia Dias (19 anos) e as palavras como identidade.
Não se considera nada, mas gosta que o associem a um não poeta. Talvez o único gosto do qual nunca se desfez: a escrita. Quando o futebol, os jogos de computador, as miúdas, o dragon ball e as primeiras sapatilhas de marca se foram embora, ficou o desejo assente de poder sentir-se a escrever. O sonho de ser um escritor sempre o fez sonhar, ainda que acordado, e ansiar pelo seu concretizar. “Um dia vou estar com muitas pessoas que me vão dizer: -“parabéns pelo seu livro”; e aí, agradeço e assino o meu nome na capa…”, sonhava; conscientemente por fim reparava na mochila às costas e num dia chuvoso que tinha pela frente. Não era pelo facto de ser conhecido, era sim pelo facto de poder sentir-se vivo num viver em que o culminar iria ser mais pessoas a ver o que pensa, a saber que pensa, ou se calhar não, e só iriam elogiar porque tinha saído um livro e convinha ficar perto de quem era famoso.
Por vezes angustiado, revoltado, constrangido ou mesmo sem limites, cresceu um rapaz normal, com as roupas arranjadas pela mãe até ao quinto ano, e posteriormente fechado no quarto, com o seu candeeiro e pouco mais do que metade de um papel.
Agora divide o tempo entre pouco mais do que um papel de verdade, uma caneta quase gasta e a música que escreve. A escrita que o transcende e a criação que o supera para que se possa superar e sentir que ao sentir pensa e pensar ao saber que sente. Existe.
Nocturno assumido e criador sem criação alguma mas refugiado na mesma luz de candeeiro, vislumbrador de beleza natural e focado num caminho que não vê, não sente, apenas torna possível com pouco mais do que o seu querer.
Um não poeta coberto de letras e desenhos que mais não são do que rabiscos.

Diogo Dias

(introdução do meu livro Rabiscos Nocturnos)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Rabiscos Nocturnos

É assim que funciono.
Mais uma madrugada,
mais palavras e pensamentos.
Mais imagens. Arte.

Entre eles me desfaço
e encontro, por fim. Esqueço.
Teria o mundo... Promessas.
Seria o mundo, imune
e sem pressas. Mais peças (!),
para um puzzle gigante.
Minúsculo.
Assim como eu, também o mar.
Também como o mar, assim eu.

O desejo. A vontade.
Ai essa vontade de partir,
estando e ficando
por perto da destruição,
causada pelo mesmo partir
e ir... vindo perdido
por entre sonhos, gostos, lixo.

E nada mais é. Palavras.
Única, simples e praticamente
nada mais do que palavras.

São aliterações das mesmas
que constroem texto. Poesia.
Se não, apenas com o desígnio de texto.
Verso. Inverso do lado de dentro,
busco e acalento o momento
que me centra no centro
do desejo. Propósito.
Noite... e a multiplicidade de ocorrências.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Constacto

Um pouco de mim
a cada palavra dita,
cada poema redigido,
cada passo dado,
cada som produzido...

Apenas um pouco de mim.