domingo, 31 de outubro de 2010

EU SOU MAU A ESCREVER PROSA!
No fundo: “I'm just so fuckin depressed”; e talvez este desviar de atenções perante um ecrã e um teclado, nada mais me dá senão uma ilusão de isolamento, ou de escape, que me impede de ouvir lá fora a chuva e a trovoada, que me impede de ouvir o ranger de portas, mas não me impossibilita de ver as luzes, os relâmpagos e os erros que dou quando escrevo com a intenção de coerência.
Enfim, nem sei bem o que disse no paragrafo de cima, porque sim, o estilo é diferente, mas a forma de redigir é igual à da livresca poesia que componho… deixo fluir.
Só pedia que me deixassem ser igual a vocês, sendo eu… Não sei se me faço entender, sei só e somente que queria ser eu sem estas dores de cabeça, estas dificuldades de ser compreendido, estas dificuldades de comunicação e dificuldades várias, por consequência. Seria assim como que um equilíbrio entre o eu, o eu e o eu; pelo meio surgiam as pessoas que me faziam a boa companhia e seria fácil perceber, seria fácil.
É necessário alguém pralém disto que me rodeia. Isto e aquilo do lado em que me sufocam, me estrangulam, me agrilhoam, e me deixam preso sem nada. Uma vez assim, não me resta muito, senão esvaziar os pulmões carregados de fumo, num grito estridente e ao mesmo tempo ávido de força. É confuso até pra mim, saber o que quero.
É mais fácil dizer que quero dinheiro, paciência e uma boa aura que me acompanhe. Que aquela nuvem que anda por cima de mim, ao estilo de desenho animado, me abandone e vá precipitar sobre as terras áridas do deserto. Não seria melhor? Seriam dois bens: o meu e o das terras secas do deserto, eu ficaria seco e menos ‘amaldiçoado’ e as terras ficariam molhadas e férteis.
De repente olhei para o mesmo lado que tinha evitado devido aos relâmpagos de à um bom tempo atrás e reparei que o dia começou a clarear… isto não interessa pra nada, e eu tenho uma mania de quando escrevo me dirigir sempre a “vos”, como se tudo o que escrevo viesse a ser conhecido…
Nunca deixes que te digam que tu não és bonito (Homem); contudo, ainda assim, é exigido um trabalho de bom senso, que pode ser completamente ignorado porque o ser humano é uma ‘coisa’ cheia de particularidades… que em nada chegam a convergir no mundo todo. Com isto quero dizer que, ao ter-mos uma sensibilidade coerente, podemos ver os Homens como isso mesmo, e desta forma, podemos ver uma humanidade (talvez) unida e (talvez) justa e (talvez), ainda, uma humanidade humana. Escasseia-me na vista a pureza, escasseia-me na vista a verdade, escasseia-me na vista a audição. Escasso sou eu. Escasso. Farto do fardo de viver, desejo muito profundamente uma morte boa que se resuma em vida, essencialmente. Perguntam-me como seria isso?, e já eu dizia algures numa letra de uma música: ‘se eu soubesse viver, ensinava o caminho’.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

 
Preciso de vida. E assim começa…

Como a vida é só o caminho para a morte – e quem não se convence disso anda iludido – eu penso que, no fundo é tudo pouco para o muito que nos oferece a mesma caminhada mórbida… Se eu parasse por momentos e sentisse de facto o que seria fácil de sentir, pensar, querer, sonhar; saltar por pouco no nada; ter-me por fim…
Era só saltar uma página que não daria mais espaço a esta morte que me consome a vida e sentir (sempre o sentir que no fundo me enoja e me aldraba a vista numa espécie de sensação efémera, passageira e pouco útil, contudo…) mais o viver diário. Não ter este espaço que reside entre eu, mim, nós, todos, NINGUEM!
Só…





Numa linhagem, principio e vida, rotineira, péssima.
Tremo, tremo porque presenciei sem presença assídua a morte já muito fustigante de vários eu’s que me acompanham, cercam e fazem-me falta agora… mas mais que isso, assisto sempre a esta coisa que me confunde e no fundo me funde com a frustração de nada ter como salvar algo que gosto, quero, sinto… amo. Primeiro ela, sim ela mesma, a madrinha que me faz falta agora e não volta porque está, sabe-se lá onde, e estranhamente eu a sinto, ou vejo, e nada nada nada nada nada nada!!!!!!!
Sofro, mas quem importa, quem se importa, quem me importa!






Um asfalto coberto,
Um palco pouco esperto,
Este actor que não é certo
E eu que sou este incerto, com certezas vagas
Noite às claras, cafés, madrugadas
Mágoas.






A fama faminta de olhares e jorros de tinta, o vicio que me fustiga, suscita o palco e a escrita, do vicio que o vicio obriga. O centro do mundo sem clima. O auge d’um corpo que se agita, o fim, o eu sem a vida

domingo, 22 de agosto de 2010

É, somente
o rio que deambula













...passa
por aqui onde me encontro-
e não estou -
e esbarra no nada!

Normal,
esta linhagem, principio e vida
que albergo e penso, nela
concentro o poder imenso
do pensar em verso
inversamente
ao rio.

Fixo!

terça-feira, 22 de junho de 2010

VI

Ao lado
o lanche dietético,
a conversa da vizinha
e a avó com o neto.

A figura popular que chega,
aperaltada, bela; todos comentam.

Constam e correm rumores.

É a vida de lanche da manhã.

O sol,
reflecte na vidraça.

No fundo fala-se
de tudo
e não se importam,
a vida corre, “vai indo”
e é normal.

Só isso. Lanches
na vida normal.
Palavras da vida normal.
Vidas de outros, que fazem,
ser normal a uns tais.

O sol,
reflecte na vidraça.

Constam e correm rumores.

A vida corre, “vai indo”.

Normal. O sol. A vidraça.

sábado, 8 de maio de 2010

Todos os sentimentos maiores têm choro. Coimbra chorou na queima.

Dia 7 de Maio de 2010, sexta feira, e noite com sentimento. Noite e Coimbra e Coimbra e Noite. A tuna de medicina e o céu que descarrega. Se todos os momentos de sentimentos profundos e sentidos têm o choro como marca, até o céu se emocionou e chorou em cima dos estudantes da cidade que "...é nossa até morrer".

Diogo Dias

quarta-feira, 21 de abril de 2010

até ao fim da linha
essa que fica pra lá do horizonte
essa que me atropela e fica distante
enfim
apenas essa que faz chorar
que faz sorrir
a que faz...

enfim

pensamento e sentidos activos

só disso e tudo

e enfim

nem sei se seria se tudo fosse simples
contudo
torna difícil,
sim, aumenta essa dificuldade pra sofrer e sentir mais
e sentir mais e sofrer ainda mais
e sofrer e sentir

tudo é dor, mas lá pelo meio, sentes
e sabes e sentes e sabes que quando sentes
sofres,
mas no fundo é fácil,
o difícil é esquecido
e a ilusão dá-te felicidade.

no fundo choras,
mas no fundo sentes que és feliz,
então somos... e acabou

terça-feira, 13 de abril de 2010

E tu
não me olhes assim
com olhos de medo que vão daqui
que ficam assim no fim de ti,
e eu aqui.

Se perguntares por mim
responde tu... Triste sina
inquieta, drástica. Mórbida.

Sónica; efémera
paisagem que tu com o olhar que dês-te
sombreias e tornas clara. Fatigada.

Forma desfocada que respira e enaltece
que esquece mas recorda
que palpita e não é hora
de recapitular a vida...

VIDA
VIDA
VIDA

Talvez seja só o sem ser,
por isso, contigo, em ti, sem nada.

NADA
NADA
NADA

e no fundo TUDO.

Não, não me olhes assim
com os olhos de leão enfurecido,
enraivecido, estupidamente descontrolado
que como se me dissesses: amo-te.

Sim, olha-me assim,
com esse ar de desprezo. Esse
pouco zelo.
Esse desinteresse.

Fascina-me, tal como a ti,
a reacção do amor. Realço
mais do que tu esse sentido de dor.
Afirmo mais do que todos o saber que dói
por detrás do florido que cerca
amansa e destrói a tristeza feliz de estar tudo bem.

Contemplo mais do que o nada.
Invento enquanto tenho estrada.
Caminho e não encontro mais nada.
Retorno - reencontro - regresso à alvorada.

Paisagisticamente sou e fico, só.
Mas... se só sol está a florir,
só sonhar é fugir... e então fujo.